Publicado:sexta-feira, 12 de abril de 2013
Postado por: Olhar Nacional

Como era bom o nosso cinema

Se fossemos definir o cinema nacional em uma palavra esta seria “chato”, se fossemos definir em duas palavras seria “chato” e “moralista” uma rápida olhada na programação dos cinemas e vemos títulos de filmes monótonos, sem atrativo que lembram especiais de final de ano sem graça.

O grande bum do cinema são as comédias: “Se eu fosse você”, “De pernas para o ar”, “Dois coelhos”, “E ai comeu...” a lista é maior, mas ficando apenas com estes títulos o que eles tem em comum?

Fora serem chatos todos se mostram repetitivos, é a mesma fórmula, copiada do cinema americano uma mesma história é reciclada em um humor mais ou menos.

Voltando no tempo, no mesmo gênero encontraremos um humor “mais puro” com isso quero dizer um humor que se aproxima das raízes brasileiras, o humor escrachado, politicamente incorreto e contestador. Em plena ditadura militar o cinema brasileiro trazia palavrões, explorava a sexualidade e passava mensagens de liberdade.

Em uma busca, igualmente rápida, pela internet veremos títulos como “Bacalhau (Bacs)”, “As histórias que nossas babás não contavam”, “Aguenta etesão” e “Fuscão preto” só para citar alguns. Hoje em dia o cinema se conformou em ser acomodado.

Bruno Mazzeo até tentou fazer algo de diferente, mas seu “Cilada.com” ficou anos luz de uma pornochanchada, acusado de fazer humor grosseiro Mazzeo abusou de palavrões e colocou uma sexualidade muito tímida, apenas com citações. O escancarado das pornochanchadas se perdeu no tempo, hoje em dia qualquer tentativa de aproximação do sexual é fortemente banida pelo moralismo.

Curioso como em épocas de ditadura a repressão deixava brechas maiores para a sexualidade e a “baixaria”, cujo único objetivo era gerar prazer. A pornochanchada, a baixaria, o pervertido, o smut tem o objetivo de divertir, de promover o intercâmbio de pensamentos e a socialização a partir do riso. Já nossas comédias atuais atuam na repressão, promovendo uma higienização nos cinemas.

“O poder que dificulta ou impossibilita as mulheres, e em menor grau também os homens, de desfrutarem obscenidades sem disfarces é por nós denominado ‘repressão’, reconhecemos nela o mesmo processo psíquico que, em caso de grave enfermidade, mantém fora da consciência todos os complexos, de impulsos junto com seus derivativos, processo que se tem revelado o principal fator da causação do que chamamos psiconeuroses” (Freud, O chiste e sua relação com o inconsciente – 1905).
Diego Tiscar é psicanalista e colunista do olhar nacional

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